Parem de dizer que o feminismo é isso ou aquilo sem saber!

O feminismo não quer que você seja lésbica ou que nunca se case, não quer que você não tenha filhos, não quer que você fique para sempre sozinha, não quer que você transe com qualquer um. O feminismo não veio para impor nada. No movimento feminista há opiniões divergentes sim, para as que chegaram agora, algumas mais antigas na luta podem ser vistas como radicais, mas a ideia do feminismo sempre foi você poder decidir. Decidir se você quer se casar ou não, porque você não é obrigada a isso se não vai te fazer feliz. Decidir se você quer ter filhos ou não. Para as pessoas de fora, todas as feministas são defensoras do aborto, mas não é bem assim. Não defendemos que não se deve mais haver crianças e sim que uma mulher deve poder escolher se está pronta ou não. Quem é contra, simplesmente pensa apenas no nascimento, e não vê as consequências disso, mães com depressão pós parto, orfanatos lotados, ruas repletas de menores infratores… A mulher deve poder escolher pelo seu corpo. O feminismo não é composto apenas por lésbicas e o movimento não te faz ser uma, mas as lésbicas estão, sim, presentes e são mulheres como nós. Não queremos que vocês fiquem sozinhas, mas que escolham com quem querem ficar (amigos também são família! Desculpa, família tradicional, mas não somos formados apenas pelo que lhes convém). O feminismo luta, principalmente, pela liberdade sexual da mulher, pelo direito dela transar com quem quiser, com quantos quiser, se (e somente se!) ela quiser. O feminismo é, justamente, liberdade de felicidade, de fazer suas escolhas, desde as mais simples, como se você se sente bem depilada ou não, até às mais complexas, se você quer ter um filho ou não.

-Anna Julia Caetano.

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Passar do 36 não pode?

Por que eu odeio comprar calça jeans? Porque vivemos em um país conhecido por suas variedades: seja de cores, de estilos e principalmente de corpos; porém, as calças são feitas para modelos magérrimas, e se você passa do 34/36, começa um pesadelo. Por que? As calças simplesmente foram feitas para te colocar minhocas na cabeça, pois a partir da numeração 44 fica um tanto difícil de achar algo que lhe agrade. É necessário comprar dois números a mais do que deveria, porque as benditas parecem ter sido costuradas para um corpo infantil.

Não deveria ser assim, deveriam respeitar nossas diferenças, eu não deveria me sentir constrangida ao aumentar a numeração. Não é meu corpo que está errado, não sou eu que preciso emagrecer. Além disso, não quero ir em uma loja específica plus size, e sim ir nas mesmas lojas que minhas amigas magras; meu corpo deveria ser respeitado e não julgado. Porque sei que não sou só eu que penso em dieta quando a calça não entra; o que não me entra mais é essa limitação que nos impõem. Eu estava feliz cinco minutos antes de experimentar a calça, porque não estaria depois de aumentar a numeração? Eu fiquei feia?

A verdade é que isso não pode nos definir, beleza é algo tão relativo… Hoje eu posso estar me sentido a mais bonita e amanhã já não estar tão segura; hoje alguém pode me dizer que eu ficaria mais bonita de um jeito e amanhã dizer que estou maravilhosa assim como sou. O negócio é aprender a filtrar as opiniões que realmente importam, e a principal é a sua; se hoje não está legal, tenta amanhã, se persistir então corte o cabelo, tente uma cor de batom diferente… Mas se olhe diante o espelho e se questione: “O que me incomoda?” Mas passou a incomodar depois do comentário de alguém? Sim? Então volte duas casas e perceba o tamanho da besteira que você está fazendo, não queira mudar por pressão. Mas se a resposta é “não, eu realmente tenho problema com alguma coisa em mim?” Neste caso, realmente tente mudar… Vá ao nutricionista, vá ao cabeleireiro. O importante é você saber diferenciar as opiniões importantes (a sua) e as irrelevantes (dos outros), consciência é a chave para a própria liberdade, não sinta medo do espelho, se conheça e aprenda aproveitar em você, o que antes causava desconforto.

-Anna Julia Caetano.

Até que ponto eu faço por mim?

A temática “padrões” está sempre em meus textos e em 90% dos meus diálogos sobre algo do gênero. Eu sempre trato de dar uma passadinha novamente no assunto, justamente por ser algo que nos é implantado todo santo dia, sejam esses de beleza, comportamentais, etc. Eu estava lendo sobre isso e sobre a definição de “padrão” e me deparei com duas interrogações em minha cabeça: como existem pessoas que podem achar que estimular uma padronização deixa o mundo melhor? E a partir de que ponto um determinado comportamento começa a nutrir um padrão de beleza?

A primeira é uma implicância pessoal minha, eu sempre penso “por que não somos todos iguais?” “Porque, se ocorresse, iríamos todos morrer da mesma doença”. Nesse caso, penso que a padronização é a doença. Ser diferente, do meu ponto de vista, é fantástico. As diferenças estimulam o crescimento, a vontade de buscar mais, de ser mais… Muitos, tristemente, não pensam como eu e, isto é, sem dúvida alguma, ruim.

A segunda é o assunto central ao qual estou voltada neste texto. Isso me intrigou por que as pessoas não costumam te ensinar algo em sua socialização primária e te dizer “isso aqui é por padrão de beleza e aquilo não”, não recebemos manual e nunca receberemos. “Então, até que ponto eu faço por mim?”. Vamos a um exemplo para tornar meu pensamento mais palpável. Depilação: é uma coisa que nos ensinam como se fazer na puberdade mas que já vemos nossas mães e tias fazerem desde a primeira infância. Isso é introjetado em nossas cabeças de modo que se torna natural para nós, principalmente mulheres. Depilação é algo opcional, mas também é uma questão de higiene. Eu não encaro isso como padrão pois é algo que pode vir a ser praticado por ambos os sexos. (Aliás, não sei por que raios brasileiro acha que só mulher tem que se depilar. É uma herança bem primitiva e machista de nossa nação. “Mulher se cuida mais que homem porque vai ao médico, e se depila e blá blá blá”. Nos cuidamos porque temos consciência de que se não o fizermos ninguém fará por nós. Homens também podem, com toda a certeza. E, repetindo, É ALGO OPCIONAL PARA AMBOS OS SEXOS, OK?!)

Pessoalmente, penso que os padrões de beleza começam quando o que faremos prejudica nossa saúde, seja ela física ou mental. Fatores que são opcionais, que ambos os sexos podem realizar, e que preferimos por questões de higiene, para mim, não são padrões. Temos que fazer para nos sentirmos bonitas para com nós mesmas acima de tudo (se não se sente bem fazendo tal coisa, não a faça). Somos e sempre seremos nossas maiores e mais confiáveis parceiras amorosas. A coisa é parar e pensar: até que ponto eu faço por mim?.

xX: Com todo o amor

-Bruna da Silva

Moça pra fazer o que quiser

Uma das demonstrações preconceituosas que mais me irritam são as definições impostas para que uma mulher seja “para namorar” ou não. Esses conceitos são pra lá de idiotas, mas todos nós os conhecemos desde criança, certo? “Não pode ser puta, não pode ser vadia, não pode usar roupa curta, não pode falar palavrão, tem que se dar respeito, tem que se valorizar etc etc etc”. Se eu sentar numa rodinha de família para falar sobre isso, com certeza essas expressões aparecerão. Justamente porque esse pensamento é repassado de geração para geração desde séculos atrás.

Já imaginou se a sociedade simplesmente parasse de se importar tanto com as atitudes da mulher? Se ela beijou um, dois, dez, vinte e três ou noventa e sete caras na festa, isso não vai te afetar. Se ela usou roupa curta, isso não vai te afetar. Se ela falou palavrão, isso não vai te afetar. Isso não faz dela “menos mulher” ou “menos valorizada”, isso faz dela uma pessoa que faz suas próprias escolhas, e, se você a julga por isso, você é um idiota, com o perdão da palavra.

Portanto, sinto muito informar a todas as pessoas de mente pequena que, para que uma mulher “seja pra namorar”, basta ela querer namorar. O que define se ela “é ou não para namorar” é sua vontade, não seu comportamento. Não tá a fim de namorar? Pronto, ela não é pra namorar. Tá a fim de namorar? Pronto, ela é pra namorar!

-Maria Clara Mendes

Preciso do feminismo por

No domingo do dia 16 de agosto, eu estava conversando com um amigo que faz Direito na Federal, e ele me trouxe notícias aterradoras, referentes, principalmente, a casos de estupros. Assunto delicado, não? Talvez, mas esse é outro tabu que nós, Mimizeiras, estamos dispostas a quebrar. Em 2007, uma garota de 15 anos, acusada de furto de um celular, foi lançada numa cela com 30 homens, por 26 dias. Para quem não sabe, vou explicar rapidamente: “(…) Furto é um crime afiançável, sem grandes consequências, principalmente se o réu é primário. Essa garota no caso era.” A juíza (pasmem, era uma mulher!) não fez questão de avaliar o caso e logo a mandou para a delegacia de Abaetuba, no Pará. Ela foi estuprada até não aguentar mais! Agora pense você, como essa garota não se sentiu durante esse período de tempo, que aos olhos de quem estava de fora era menos de um mês, mas que para ela foram intermináveis segundos de pânico. Se imagine no lugar dela: o que ela sentiu, todas as noites, depois de cada abuso. O nojo que passou a ter do próprio corpo. As mãos nojentas de homens podres que insistiam em violar a pobre coitada…  E quando você pensa que não pode haver um caso pior, sempre há. Aconteceu aqui, no nosso Estado, em Planaltina. Uma garota de 14 anos ficou presa (também por furto) por 15 dias numa cela com 110 homens (a qual tinha capacidade máxima de 49 PESSOAS!!) Não preciso relatar aqui o que aconteceu nesses 15 dias de Inferno, certo?

Casos absurdos assim acometem nossa sociedade a todo momento, todos os dias! O site do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) e do STF (Supremo Tribunal Federal) registram cerca de 80 casos de mulheres em presídios masculinos, os quais só foram denunciados após o ocorrido no Pará. Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), uma em cada cinco mulheres é vítima de abuso sexual antes dos 15 anos. E agora? Que faremos? “Nos calamos por tanto tempo, que quando bradamos palavras de revolta, não saem mais do que gritos de ordem monossílabos e infundados, com um teor de ódio tão grande que recai sobre os mais fracos e nos esquecem mais uma vez.” Mas não devemos nem sequer podemos desistir. Não podemos e não vamos nos calar mediante tais acontecimentos grotescos e brutais. Aqui falei sobre o estupro nas prisões, mas sabemos que isto vai muito além das grades. Use sua voz. Não se cale.

-Bárbara Barcelos.

Sai pra lá com esse “é só uma fase”!

Hoje, dia 29 de agosto, chega ao fim a Semana da Visibilidade Lésbica. Trata-se de um movimento voltado para questões já conhecidas como o machismo, a lesbofobia… Ocorreram diversas programações ao longo da semana, em vários estados do país, entre discussões políticas, exposições e sarais, tudo voltado pras minas. Nessa semana, houve uma grande discussão em torno da matéria que afirmava que as mulheres estão preferindo não se denominarem lésbicas, como acontece com algumas famosas; dizem que apenas curtem o momento ficando com garotas, passando a ideia de que é tudo uma fase. No entanto, isso é sim lesbofobia além de tirar toda a credibilidade da luta já vivida por outras lésbicas. Estão colocando essas mulheres de escanteio, apagando sua imagem. Diferente do que muitos acreditam, ser lésbica não é mais fácil do que ser gay. São os mesmos preconceitos com o agravante de serem mulheres. O mais comum em discussões em mesas de bar, são homens dizendo que “aceitar” as minas juntas é mais fácil que fazer o mesmo com os gays, e tudo isso porque transar com duas mulheres ou ver as duas em ação faz parte da imaginação erótica do macho. O problema é que elas não vão curtir esse ménage à trois porque, pasmem, lésbicas não curtem homens sexualmente. Depois que o indivíduo consegue perceber isso, a mulher então é vista como problemática, que ela é lésbica porque foi mal comida ou sofreu uma desilusão amorosa e, infelizmente, estupros ocorrem com essa desculpa. Assim como os gays, as lésbicas também têm medo de demonstrar o amor pela companheira na rua, e essa semana foi dedicada a tudo isso, pela liberdade de ser lésbica, de amar outra mulher e não ser apenas um fetiche.

-Anna Julia Caetano.